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Paradigmas Educacionais e Práticas Pedagógicas

          Diante de minha experiência como estudante, funcionário e professor em escolas públicas me deparei com professores que utilizavam métodos de trabalho ou instrucionais ou tecnicistas. Sabendo que o instrucionismo é um paradigma educacional que recorre à prática da instrução e o acúmulo de informações ou de conteúdos já construídos, percebo que a grande maioria dos estudantes existentes nas escolas nas quais tive acesso se valia da famosa decoreba para reter, pelo menos temporariamente, o conteúdo passado pelos professores com a finalidade de repetí-los fidedignamente na aplicação das provas.

          Lembro-me de muitas situações em que os alunos de turmas de Ensino Fundamental I eram obrigados a copiarem todos os dias quadros e mais quadros de conteúdos de diversas disciplinas, para depois terem de decorar todo aquele conteúdo com a finalidade de transcrever corretamente nas questões pedidas das provas o equivalente ao enunciado. Muitos estudantes foram vítimas desse tipo de educação durante muito tempo, talvez seja por isso que existem tantas dificuldades na expressão de idéias na produção de textos e até na oralidade.

          Em razão de muitos estudantes serem de famílias demasiadamente pobres, não tiveram ou não têm a oportunidade de cursar uma educação infantil, só têm o primeiro contato com a sala de aula aos sete anos de idade. Portanto, diante dessa realidade ingressam no Ensino Fundamental sem nenhuma experiência de escrita ou de alfabetização. Apesar disso, são obrigados a copiar quadros inteiros de conteúdos expostos no mesmo. Este tipo de ensino, tão preso ao quadro de giz e utilizador da repetição, memorização e imitação, segundo Ribeiro, 2007, se constitui um método tradicional instrucionista de educação. Ele cita a respeito do instrucionismo:

- - - Para os que adotam a posição instrucionista, aprender é acumular informações. Quanto mais informações o aluno armazenar [...] mais preparado estará para lidar com as situações que se apresentarem [...] e o lugar privilegiado de maior acúmulo dessas informações era a escola. [...] aprender é acumular informações, o método mais eficiente de se aprender é através da repetição, memorização e imitação, sendo o ensino a arte de transmitir informações, instruir o aluno para seguir um percurso de aprendizagem pré-definido conforme o padrão, e colocar o aprendiz em contato com modelos [...] (Ribeiro, 2007, p. 8).

          A maioria dos professores que fazem parte da experiência educacional de muitos estudantes pauta seu ensino por esse paradigma. Apesar disso, tal paradigma não é o único existente nas escolas. Outro paradigma se faz presente, o tecnicismo, mesmo com menor força, o qual, segundo Ribeiro, tal paradigma define que o “Ensinar seria estruturar esquemas reforçadores dos comportamentos desejados, através da implantação de mecanismos de recompensa (notas, medalhas, prêmios, elogios…) e punição (castigos, repreensões, reprovações…)” (Ribeiro, 2007, p. 8).

          Já constatei a existência de escolas na atualidade que adota tal concepção paradigmática de ensinar, onde os professores recebem todo o seu material já pronto, preparado pela coordenação pedagógica, seguindo um planejamento elaborado pela própria coordenação. Este tipo de trabalho desrespeita a experiência profissional do professor e a democracia na construção de uma educação que leve em consideração a particularidade de cada turma ou de cada aluno e torna-o um receptor empírico, para que o mesmo detenha um conhecimento enciclopédico. Este tipo de ensino não caracteriza uma verdadeira ação proporcionadora de aprendizagem, tendo em vista que, o aluno é apenas um receptor podendo se transformar num transmissor de informação e de conhecimento. A informação não é processada pelos conhecimentos já adquiridos pelos alunos para que os mesmos possam construir seu próprio conhecimento mediante os dados já existentes, diante disso, essa informação é depositada na cabeça do estudante como se tal informação pudesse ser guardada para eventual utilização.

          A realidade das escolas se encontra num dilema difícil de ser resolvido. De um lado se encontra os professores imbuídos de concepções construcionistas de educação, com o intuito de proporcionar uma educação pautada na autonomia do aluno, obstacularizados por um sistema tradicionalista e de outro, professores tradicionalistas querendo inovar a educação com novas estratégias instrucionistas e tecnicistas. Essa realidade demonstra os propósitos educacionais dos docentes dos novos tempos. Há uma pretensão de proporcionar melhor educação aos novos alunos, porém, essa é barrada pela falta de experiência dos professores com relação a esses novos modelos paradigmáticos. O professor deseja oferecer o melhor, contudo só poderá dispor de algo aprendido. Será possível um professor que passou toda sua vida escolar recebendo educação tradicional oferecer uma educação construcionista? Talvez, seja necessário que esses façam o seu melhor para mudar as regras desse jogo. Se não existir um esforço para a mudança dos paradigmas da educação permaneceremos presos a sua tradicionalidade.    

 

Referências:

RIBEIRO, José Geraldo da Cruz Gomes. Perspectivas Filosóficas e as Concepções de Educação. UFAL. 2007.

Tópico: Paradigmas Educacionais e Práticas Pedagógicas

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