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Diferentes visões de mundo e sua relação com o cotidiano educacional

A crise mundial está intimamente ligada a tudo aquilo que acontece no planeta. Cada momento histórico se faz co-responsável para com essa crise. Ela se reflete em todos os ambientes do planeta e atinge também o espaço educacional. A crise mundial também  se revela na riqueza técnico-pedagógica disponível aos detentores de poder econômico, em contrapartida, esses recursos são recusados aos desprovidos de tal poder. Em conseqüência, poucos são privilegiados com melhores rendimentos, enquanto uma grande maioria é obrigada a se conformarem com um mísero salário, o que ainda o faz feliz diante de tantos desempregados que, na maioria das vezes, passam fome e morrem, em razão de doenças provocadas pela necessidade de alimento.

 

Vivemos num mundo onde todos têm um só objetivo: buscar sua satisfação pessoal e a sua própria manutenção social e riqueza. O importante para todos é ter o melhor para si. Não importa se existem outras pessoas que passam fome, ou se são mal preparadas para ingressar no mercado do trabalho. Essa exigência se faz tão concentrada que, seus detentores exploram tudo aquilo, ou quase tudo que possam explorar. Assim, o planeta de todos torna-se privilégio de alguns. Aquilo que é direito de todos passa a ser propriedade de exploradores inescrupulosos. Dessa forma, o ar que respiramos, a água que bebemos, e todos os outros organismos do ecossistema passa a ser um direito recusado a sociedade do futuro, enquanto na atualidade desfrutamos desses precários recursos, reduzidos por antepassados e contemporâneos ansiosos por riqueza e, indiferentes a preservação dos recursos naturais.

 

Essa visão de mundo, alimentada desde os primórdios dos tempos, tem sua razão de ser. Observemos a sociedade humana primitiva. Como era? Como vivia? Como se relacionava com o trabalho? A descoberta de alguns instrumentos e técnicas impulsionou a vontade do homem para o desejo de riqueza, de acúmulo de bens. Logo, quem detinha maior conhecimento tecnológico, abarcava para si grandes riquezas. Isso se agravou ainda mais na era industrial, quando os empresários passaram a produzir em grande escala. A riqueza se concentrou ainda mais, nas mãos dos poderosos. Esses, já pensavam somente em si e, esse comportamento tornou-se de maior visibilidade. Tais indivíduos tratavam os fatos como independentes de outros, existentes em outras circunstâncias ou lugares. Todo o restante da sociedade pensava do mesmo jeito. Portanto, se o rico estava nessa situação, isso era um fato que não tinha nada a ver com outros que, também eram detentores de riqueza e, com uma grande maioria que amargava a pobreza e a miséria. Cada um deveria estar no seu lugar, sem o mínimo remorso, se outros estão vivos ou morrem de alguma doença provocada por algo evitável. Eles não tinham culpa de nada. É o que a sociedade pensava e ainda pensa.

 

Quantos problemas existem em cada região do planeta... Problemas de toda ordem. Ninguém se prontifica a levantar-se para ajudar, pois, ninguém, parece, não tem culpa de nada do que acontece. Um grupo de seres humanos que passa fome ali; um outro grupo que é consumido por certa doença em outro lugar; outros grupos que se enfrentam odiosamente até a morte. Nada tem a ver com quem não está passando por tudo isso. O mundo é inocentado diante de tantas desgraças que acontece em lugares separados e distintos. Será que somos mesmo inocentes?

 

A natureza do meio ambiente e dos seres vivos não está mais sendo respeitada. Quantos problemas surgem em razão disso. Desde muito tempo só se pensa na exploração. Em razão desse bendito substantivo, muitas vidas foram ceifadas. Vidas animais e vegetais foram retiradas de nosso meio. Qual a razão para esse crime? Árvores que transformavam gás carbônico em oxigênio, que nos forneciam sombra, frutos e evitavam a erosão, foram arrancadas de seu habitat. Em conseqüência, animais, que foram caçados e mortos, também perderam o lugar de sua moradia. A quantidade de gás carbônico aumentou, o planeta superaqueceu, a camada de ozônio está sendo destruída, em conseqüência, os raios ultravioletas atingem nossa pele com maior capacidade de provocar queimaduras e, uma possível geração de câncer de pele. Esse mesmo calor aquece demasiadamente lugares e montanhas geladas. Derrete-as, provocando o aumento do nível do mar. Destrói povoados inteiros através da formação de ondas gigantescas, provocadas por vulcões extintos,  existentes debaixo das águas do oceano e que, foram superaquecidos pelo efeito estufa do planeta, tornando-se vulcões ativos que, ao explodir, abalam as águas do oceano e criam ondas capazes de destruir cidades inteiras, próximo à região. Além de tudo isso, esses raios atingem a terra com tanta potência que, aceleram a vaporização dos rios, secando-os, provocando a desertificação do planeta e inundação de cidades, por causa do excesso de chuva, em conseqüência da rápida vaporização das águas dos rios, lagos e oceanos. Tudo isso, sem falar no desaparecimento da água potável, tão necessária para nossa sobrevivência, mas que está se tornando um recurso natural não-renovável, em razão da poluição dos rios e lagos. De quem é a culpa? Não é de uma pessoa só, mas, de uma coletividade de indivíduos que se auto-relacionam entre si e com o ecossistema, através da exploração, provocando tão horrorizada destruição do nosso planeta. Esses mesmos indivíduos, não conformados com a destruição da natureza não humana, praticam atitudes destrutivas também com os seres da sua mesma espécie. São responsáveis por diversos crimes de natureza individual, coletiva, nacional e internacional. Assim, se explicam os assassinatos, os suicídios, as guerras cíveis, as guerras militares, a eutanásia, o aborto, e assim por diante. O planeta terra não é um lugar seguro para se viver. Ou morreremos de uma forma ou de outra e, nós mesmos somos responsáveis por toda essa desgraça.

 

Ponderamos que nosso sistema de vida é independente de outras formas sistemáticas. Agimos e pensamos como se fossemos um mundo isolado, uma ilha que perdeu o contato com o mundo, mas, isso não é verdade. Todos nós somos uma minúscula parte de um grande sistema, de um sistema maior que, está intimamente ligado a nossa forma de vida. Nosso sistema corporal depende dos sistemas dos corpos de outras pessoas e estes, por sua vez, de outros sistemas de vida existentes no planeta. Todos esses sistemas se relacionam entre si. Um depende do outro ou, um prejudica o outro, na ordem de sua necessidade vital. Todos fazem parte de uma grande rede interligada pelas necessidades comuns de existência: alimentação e convivência.

 

Imaginamos que os problemas que acontecem na individualidade das instituições humanas, como a família, o bairro, a cidade, o estado e o país, são frutos de uma crise pessoal de cada instituição. Não tem nenhuma relação com outras instituições sociais, independentes e, por isso devem buscar a solução na individualidade de cada uma delas. Se o problema é numa determinada família, essa família deve buscar a solução sozinha, sem ajuda e apoio de ninguém. Se o problema é de determinado município, esse deve buscar a solução sem a ajuda de qualquer instituição que seja. Cada um é dono de seu próprio nariz e deve fazer com ele o que quiser, mesmo que, para isso, tenha que pagar um alto preço e, arcar com as conseqüências. Vejamos como exemplo, uma família problemática, onde existe pai viciado no alcoolismo, mãe infiel ao casamento, filhos envolvidos com drogas e, adolescentes que vivem experimentando do mundo da prostituição. Essa família vive mergulhada em conflitos. Quais as causas de tudo isso? Será que o esposo é viciado no alcoolismo por que é traído pela esposa? Será que a esposa trai o marido, em razão de seu vício e talvez, por sua impotência sexual? Será que os filhos vivem na rebeldia por rejeitar o comportamento dos pais? Será que os pais agem desse jeito por motivo da rebeldia dos filhos? Será que os filhos se comportam dessa forma por pretexto das más amizades que eles tiveram? Será que os problemas dos pais tiveram origem de uma mesma natureza? Será que o comportamento dessa família influencia outras famílias? Será que essa forma de vida não deixa os ambientes como o da escola no dilema de alunos problemáticos? Será...? Será...? Será...? Com tudo isso, percebemos que, cada problema existente numa instituição é fruto de uma mesma crise.

 

A crise da fome no mundo inteiro é algo digno de reflexão. A necessidade de alimento não se restringe a determinado grupo social. O alimento é necessidade inerente a todos. O site de pesquisa Wikipédia coloca a alimentação como “... processo pelo qual os organismos obtêm e assimilam alimentos ou nutrientes para as suas funções vitais, incluindo o crescimento, movimento e reprodução (wikipédia)". O crescimento, movimento e reprodução, assim como outras funções são atividades comuns na vida do ser humano, precisando para a execução dessas funções, da ingestão de certa quantidade de alimentos, com determinadas calorias por dia. O que nos impulsiona a prática da alimentação é o apetite, a fome. Quanto maior a fome, maior o desejo pela alimentação. Quantas pessoas, por causa do apetite demasiado tornam-se obesos, enquanto uma grande maioria passa necessidade. Não têm o mínimo para que seus organismos processem as mais simples funções. A fome é um monstro que destrói grande quantidade de seres humanos. Essa situação tão aviltante tem fundamento e, sustenta-se no desejo e esforço de muitos pelo desenvolvimento financeiro, econômico e tecnológico. Máquinas tomam o lugar de trabalhadores braçais, desempregando a muitos. Pessoas que passaram a viver no êxodo, em busca de um futuro melhor, deparando-se com a miséria e a fome. Não conseguem o mínimo para sua sobrevivência. São desprezados pela sociedade capitalista e, não são os únicos. Observemos a sociedade africana, a qual possui milhares de pessoas que morrem todos os dias, por falta de algo para suprir suas necessidades básicas, a alimentação. Essas pessoas poderiam escapar de tal destino se as sociedades se envolvessem na luta para resolver esse problema. A sociedade mundial é capaz de realizar tal ação, pois, ela possui recursos suficientes para matar a fome de cada ser humano que existe no planeta. Esse é um desafio que o mundo não pretende assumir. Os recursos estão concentrados nas mãos de poucos que não pretendem abri-las para acabar com a fome. Assim, milhares de pessoas vivem na penúria, comendo alimentos estragados, alimentos que muitos animais rejeitam. Comem tal alimento, para evitar o aumento das estatísticas dos que morrem de fome.

 

Essa dieta inadequada e forçada, um jejum sem intenções, é o principal causador da maior parte da desnutrição no Brasil e no mundo. Adultos e crianças de toda parte do planeta sofrem com essa doença causada pela fome. Enquanto vivem pensando no aquietar de seu estômago e das dores causadas pelas doenças que a fome gerou, muitas outras pessoas passam boa parte do tempo fazendo contas de como gastar seus milhões ou bilhões de moeda nacional. Essas pessoas são seres de almas desnutridas, sem a capacidade de colocar-se no lugar daqueles que já não ver motivos para ter esperança de continuar vivendo. A desnutrição não é tratada porque as vítimas dessa doença não são nossos filhos e nem fazem parte de nossas famílias.

 

O resultado de tudo recai nos processos de morte, algo que vai acontecendo lentamente e, se acelera a partir da contração de uma nova enfermidade. Todas as portas se fecham para que a vida continue a existir. Os postos de saúde pública não têm médicos e remédios suficientes e, se estes estão lá, não conseguem encontrar uma solução. Essa solução só existe para quem tem plano de saúde e detém boa estabilidade financeira, o que não é o caso de muitos: pobres e miseráveis. Para esses, a morte é só uma questão de tempo.

 

A medicina moderna encontrou muitas soluções para doenças que anteriormente assustavam a sociedade. Porém, muitas dessas soluções não chegam a uma grande quantidade da população mundial. Doenças simples poderiam ser curadas facilmente com a ingestão de alguns medicamentos, mas, esses não chegam, para acalmar o ânimo de quem está doente. Assim, muitas pessoas morrem de doenças evitáveis, doenças que, se tratadas com cuidado e persistência não se desenvolveriam, nem causariam a morte.

 

Os sistemas nacionais e o sistema mundial buscam uma padronização dos serviços oferecidos ao povo. Esses, por sua vez, devem pagar por esses serviços. O estado nacional, em conjunto com suas unidades federativas faz essa cobrança através dos impostos recebidos. Esses recursos devem ser usados para a manutenção dos serviços prestados à sociedade. Contudo, tais recursos são mal aplicados, em razão de uma receita insuficiente. Isso acontece em razão da política mundial de economia, responsável pelo aumento dos preços e, em conseqüência, também o aumento da pobreza, a qual tem escassos os serviços que se deve receber: educação, segurança, saúde, infra-estrutura, e outros, ficando desprovida desses serviços.

 

Todos os serviços, públicos ou particulares são regulados por um sistema nacional manipulado por um sistema maior, o sistema mundial de economia, esse, muito conhecido pela nomenclatura "Globalização". O mercado financeiro e econômico agora não tem fronteiras, nem limites. Quem puder produzir mais e melhor, pode cobrar mais caro e dominar o mundo. Nações estrangeiras tornaram-se essas superpotências, buscaram e buscam esse crescimento econômico. O que acontece é uma corrida na busca pela qualidade de país desenvolvido. Esse desenvolvimento tornou-se o principal responsável pelos problemas que acontecem no globo terrestre: fome, peste, guerra, manifestação desordenada dos fenômenos da natureza, além de diversos outros problemas provenientes. As fábricas e indústrias investiram maciçamente na produção em grande escala e, para que isso desse melhor resultado foi investido muito dinheiro em empresas multinacionais. Esse avanço deu origem à necessidade de invenções de novas tecnologias as quais, foram surgindo em quantidades incontroláveis. O crescimento da economia globalizada surtiu efeito e se refletiu no mundo inteiro. A febre do crescimento econômico logo se expande pela tecnologia da comunicação inovadora, como a internet. O mercado econômico logo começou a exigir de seus profissionais, qualificação polivalente. Os mesmos deveriam acompanhar a evolução econômica propagada pela globalização. tudo isso provocou grande crescimento de desemprego e aumento de pessoas que passam fome. A nova sociedade mundial não está preocupada com o bem estar das pessoas do planeta, mas, com o bem estar que, essas pessoas podem promover aos paises desenvolvidos com aquilo que eles podem pagar.

 

Toda essa ganância pelo poder tem causado sérios problemas ao meio ambiente, a natureza, ao planeta. Quando falo aqui de causador de problemas contra o meio ambiente, me refiro a todo  sistema que faz com que o ambiente cumpra sua função. Esse sistema ambiental é composto de elementos como água, ar, vegetação e outros. Esses recursos estão sendo destruídos pela política internacional do lucro. Assim, árvores são derrubadas, rios são poluídos, o ar é contaminado. A natureza pede socorro e, a sociedade mundial está de braços cruzados. Acredita que, se ela socorrer à natureza, perderá a fonte do lucro. Não se pensa que, a conseqüência desse lucro será a destruição da vida no planeta.

 

A busca pelo lucro não se resume à prática de destruição da natureza. Ela também se processa através de cobranças absurdas das dívidas de paises em desenvolvimento. Essa cobrança força os paises a pagar os valores e escassear os recursos para a manutenção de sua população. Como conseqüência, o desemprego, a fome, a desnutrição, a insegurança, a falta de saúde pública, a educação deficiente, a morte aumentam. Tudo isso, sem falar na contração de novas doenças provocadas pela contaminação do meio ambiente que, em sua maioria são produzidas pelos paises ricos. Esses paises possuem dívidas com todas as nações do mundo, porém, são eles que cobram essa dívida.

 

O sistema mundial, com suas máquinas administrativas, pode ser comparado a um sistema mecânico de um grande relógio, o qual possui peças bem elaboradas que o fazem funcionar perfeitamente, porém, não tão perfeito. Vamos expandir um pouco, nosso raciocínio e acrescentar: as peças de um relógio funcionam perfeitamente como qualquer outra peça, de qualquer outra máquina, desde que esteja em boas condições de uso, esteja no lugar certo e,  usada corretamente. Se algumas dessas peças funcionam bem ou mal, para entender o seu funcionamento, não basta entender sua individualidade, mas, pelo contrário, é preciso compreender todo o seu complexo sistema mecânico e daí relacionar o sistema à parte e a parte ao sistema. Compreender sua funcionalidade de acordo com sua estrutura e forma, relacionada com a funcionalidade de outros sistemas, de acordo com suas estruturas e formas e, a relação com todo o conjunto. Se uma dessas peças se encontra estragada ou danificada, ela poderá prejudicar a funcionalidade de todo o sistema mecânico da máquina e danificar outras peças que, por sua vez poderão danificar outras e, assim, deixar a máquina num complexo estado de impossibilidade de uso. Semelhante ao que acontece a uma máquina ocorre com o sistema mundial do planeta. Vamos supor que, certo recurso natural seja uma peça do "sistema planeta", tão importante quanto qualquer outra peça e que, essa peça tem áreas importantes para que funcione bem no conjunto de todas as outras peças. Essas áreas são, por exemplo, o ar, a água, a chuva, a vegetação, os minerais e assim por diante. Se uma dessas áreas for danificada, todas as outras áreas dessa peça poderão sofrer com isso e, prejudicar o funcionamento de outras peças e, por fim também, o funcionamento de todo o sistema chamado de "ecossistema". Nessa situação, percebemos que não é somente os recursos naturais que se tornarão escassos ou de funcionalidade inadequada, mas, todos os indivíduos que fazem parte do contexto: os minerais, os vegetais e os animais, estando incluso, o ser humano, que é um animal racional, mas, não tão racional assim. Vejamos também, os sistemas mundiais e nacionais, com suas máquinas administrativas. Pensamos que um país é uma peça independente da grande máquina mundial ( É o que se subentende quando, estudamos em Estudos Sociais sobre os processos de independência de algumas nações), porém, na realidade, o contexto nos indica outra coisa: todas as nações são peças de um mesmo sistema e por isso, para que uma nação possa cumprir sua funcionalidade é preciso que todas as nações mundiais estejam em sintonia e funcionando a contento. Essa sintonia não exclui todo o restante do ecossistema. Contudo, o que acontece, torna supérfluo todo o discurso de sintonia ecos-sistemáticos. As nações, ou mais detalhadamente, os seres humanos, não estão preocupados com essa sintonia. O desejo e esforço desses, não é a colaboração para a preservação da vida e do planeta, pelo contrário, é pensar no lucro atual e esquecer das desgraças que poderão surgir no futuro, por causa desses lucros. Tal falta de preocupação está danificando a máquina eco-sistemático do planeta.

 

O lucro é um grande monstro, responsável pela maioria de tanta coisa ruim que acontece no planeta. Quanto mais as pessoas têm, mais desejam possuir. Esse desejo de posse se intensificou com as invenções modernas de diversos tipos de máquinas e, a conseqüente industrialização. Com a nova forma de produção, cada ser humano trabalhador teria uma função na operação das máquinas. Na máquina, tendo peças importantes, que deveriam cumprir sua função no sistema, entre essas peças, estaria também, o homem, responsável pelo funcionamento perfeito da máquina. Dessa forma, o trabalhador estava sendo tratado como a peça de uma máquina. Ele, segundo manda o sistema da máquina, estaria produzindo em série, numa rapidez e quantidade nunca antes vista, aumentando os lucros. Se essa peça apresentasse defeito, deveria ser trocada para, não danificar todo o conjunto do sistema e assim não prejudicar os lucros da indústria. Esse trabalhador, uma vez excluído do sistema industrial, perderia seu emprego e passaria a ter dificuldades de manutenção da sua família. Esse mesmo trabalhador, não teria a mesma facilidade de encontrar emprego, como tinha qualquer outro trabalhador antes da revolução industrial. Assim, ele, como muitos outros, em diversas partes do mundo, poderia, desde então, passar fome, junto com sua família, e possivelmente, poderia entrar em desespero, cometer suicídio, transformar-se em assaltante e coisas semelhantes.

 

O mercado de trabalho é uma grande concorrência entre o homem e a máquina. Nessa concorrência, a máquina precisa do homem para operá-la. Para isso, esse homem precisa estar capacitado para tal função. Quem estiver capacitado ganha seu lugar no mundo; quem não estiver preparado perde. Porém, é preciso deixar claro que, as exigências modernas de habilitação e função profissional é que fazem do homem excluído ou incluído no sistema. Esse sistema profissional, que logicamente não trabalha sozinho, depende também de outros sistemas, entre eles, o sistema educacional, tão responsável pela formação das pessoas. Quem se insere na busca pela formação, se capacita; quem esquece as exigências do mercado e não procura se capacitar se torna vítima do sistema. A visão mecanicista do mundo compreende-o dessa forma. De acordo com essa visão, para compreender o que se passa no mundo é preciso separar a crise mundial em partes e estudá-las isoladamente. Tal visão descarta a possibilidade de que, o mundo não tem culpa pela crise de determinada região do planeta, não importando em que área se sucede tal crise. Se na área econômica, política, educacional ou religiosa. Essa visão perdurou durante muito tempo e, ainda hoje, toda a sociedade se pauta por ela. Cada um é responsável na solução de seu próprio problema.

 

Se procurarmos compreender as partes isoladamente, teremos uma visão superficial do que se pretende compreender, pois, cada parte está intimamente ligada ao todo. Todo o conjunto das partes faz cada parte funcionar com perfeição. Eles estão interligados. Essa interligação é o que nos faz compreender cada parte no seu conjunto e assim, chegar à raiz do problema. Cada parte de um sistema tem uma função importante como complemento de um todo, o que pressupõe uma relação dentro da totalidade. Isso se coloca numa posição em defesa de uma visão de mundo integrada: o todo precisa das partes e cada parte precisa do todo. Essa é uma visão holística do mundo, uma visão que, nos faz compreender que, se queremos um mundo melhor, precisamos recorrer a política de prevenção e não como a visão mecanicista, que busca solucionar os problemas somente depois que eles surgem. Precisamos ser preventores e não solucionadores.

 

Nosso atual sistema de vida possui uma classe de privilegiados e uma outra classe desprovida dos privilégios. Esse sistema não é novo e não acabará tão cedo. Os privilegiados, com sua riqueza, seu conforto, seu luxo e abundāncia de recursos, não querem perder o que a sociedade tem plantado durante toda sua existência. Em conseqüência, uma outra classe de seres humanos, tratados como se não merecessem tais privilégios, são tratados com desprezo aos direitos humanos. Assim, enquanto uma minoria cresce rapidamente em poder econômico, a maioria sofre em pobreza extrema, sofrendo as misérias que o mundo não quer sofrer, cheia de desespero e de mortalidade de todos os tipos. Se a sociedade pensasse na política de prevenção, esses e outros problemas não existiram e, portanto, ela não precisaria pensar em soluções. Hoje se pensa em soluções para resolver os problemas mundiais e ecológicos, contudo, os principais causadores desses problemas não pensam em desistir de seus negócios.

 

A teoria mecanicista, responsável pela atual visão de mundo também está refletida nos sistemas de educação. Esses sistemas tratam o aluno como uma peça numa grande máquina, denominada “educação”. Num passado não muito distante, tivemos diversas teorias pedagógicas de educação. Diversos estudiosos pensaram numa educação diferente, uma educação que valorizasse o educando e não tanto os conteúdos que os educadores teriam de dar conta em sala de aula. Essas idéias surgiram, em razão da mecânica do educar. Ora, os professores não são mecânicos, nem os alunos são peças de uma máquina. A educação não é uma máquina, é um processo, mas, esse processo não pode ocorrer eficientemente se os setores responsáveis por essa educação continuarem tratando-a como tal. Vemos diante de tudo isso, uma educação tradicional, mesmo com o surgimento das novas tecnologias da comunicação e da informação. Os alunos são tratados como peças isoladas, independentes do conjunto social onde vivem, das relações com sua comunidade local, nacional e mundial. As teorias educacionais, apesar de estarem em processo de mudança para inovações na educação, conservam-se no modelo tradicional de transmitir o conhecimento, como se os alunos fossem depósitos onde os professores podem depositar todo o conhecimento que desejar, sem a mínima participação intelectual de quem recebe esse conhecimento. Os alunos permanecem como receptores passivos, como uma máquina de guardar e de repetir o conhecimento que guardou, sem nenhuma contribuição reflexiva  e criativa. Esse tipo de educação, por mais que as instituições sérias de ensino queiram modificar, ainda permanece, em razão dos setores políticos responsáveis, tratarem tal educação como uma indústria do saber padronizado, uma máquina de ensinar e de aprender. Os conhecimentos não são produzidos, pelo contrário, são passados de indivíduo para indivíduo como na fabricação de um carro: um mecânico produz a porta, outro a lixa, enquanto um terceiro pinta-a, para que o quarto mecânico coloque a porta no lugar e o sexto mecânico assente o motor, tudo isso mediado por grandes máquinas metalúrgicas. É assim que a educação tradicional está sendo tratada, uma educação mecanicista. Um professor coloca na cabeça do aluno conhecimentos de lingüística, o outro professor faz a parte dele, ensina matemática e, outros igualmente, cada um mexendo na sua ferramenta, apertando o seu parafuso, de série em série, como numa indústria de carros, que produz carros em série. Aquele professor que não apertar o parafuso direito é logo chamado à atenção pelos seus colegas e/ou pelos seus superiores: “fulano, eu apertei meu parafuso direito e, o aluno não está aprendendo, porque você está deixando de apertar bem o seu parafuso, deixe de ser preguiçoso e use sua ferramenta direito!”  É comparada a isso a educação que nossos alunos têm em nossa sociedade. Uma educação individualista, separada de todo o contexto. Essa educação somente mudará, se ela for vista como um todo, quando os educadores, diante de seu trabalho, passe uma formação que não esteja separa do contexto na qual ela está inserida, tal qual nos propõe a visão holística das coisas e do mundo e, os setores responsáveis por essa educação não mais tratarem os alunos como peças soltas de uma grande máquina. Eles são seres humanos e precisam aprender a pensar.

 

A educação do ser que se deve educar, não se processa somente no ambiente fechado de uma sala de aula, onde os únicos recursos dessa educação são instrumentos didático-pedagógicos, isolados ao limite de suas disciplinas. Essa educação vai além dos portões da escola, transcende os limites da comunicação, os recursos didáticos e as fronteiras nacionais e internacionais. O educando torna-se sujeito de sua própria educação, tendo como facilitadores desse processo, em primeiro lugar, sua família e, na ordem de importância, a escola, em todo o seu conjunto e também a comunidade onde ela está inserida, vindo depois, a sociedade como um todo.

Tópico: Diferentes visões de mundo e sua relação com o cotidiano educacional

Data: 26-06-2013

De: KAYLNE BAIXINHA

Assunto: EDUCAÇAO

VC INSINA MUITO BOM VCE CHATO MAS EU <3

Data: 26-06-2013

De: KAYLANE

Assunto: EDVAN

OI GOSTEI PRO XAUUU

Data: 02-05-2013

De: Edvan

Assunto: Retorno

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